
25 Setembro 2009
16 Setembro 2009
04 Setembro 2009
CARROSSEL DO DESTINO - Antonio Nóbrega

(Composição: Antonio Nóbrega e Bráulio Tavares)
Deixo os versos que escrevi,
As cantigas que cantei,
Cinco ou seis coisas que eu sei
E um milhão que eu esqueci.
Deixo este mundo daqui,
Selva com lei de cassino;
Vou renascer num menino,
Num país além do mar...
Licença, que eu vou rodar
No carrossel do destino.
Enquanto eu puder viver
Tudo o que o coração sente,
O tempo estará presente
Passando sem resistir.
Na hora que eu for partir
Para as nuvens do divino,
Que a viola seja o sino
Tocando pra me guiar...
Licença,que eu vou rodar
No carrossel do destino.
Romances e epopéias
Me pedindo pra brotar
E eu tangendo devagar
A boiada das idéias.
Sempre em busca das colméias
Onde brota o mel mais fino,
E um só verso, pequenino,
Mas que mereça ficar...
Licença,que eu vou rodar
No carrossel do destino.
30 Agosto 2009
30 Julho 2009
barbaridade
matutei barqueiro num povoado do Maranhão Pernambuco Paraíba Amapá Mato Grosso lugarejo outro que fosse antes azedo do que doce miserando trabalho para fazendeiro trapaceiro algum filho da égua de um latifundiário nas Alagoas Goiás Pará Espírito Santo Ceará tava eu querendo embrenhar com bicharia fosse na grota da desgraceira na ribanceira do malassombrado matutei jeito morno de viver namorar Ararajuba trançar rede com Socó-boi atinar cantoria com Sabiá-de-coleira voejar com Gavião-de-penacho-pega-macaco fazer dançaria com Sinhá-caturrita e parceria com Periquito-bunda-mole rendar com Inhambu-carapé navegar na bacia cheia d’água do Araguaia na jangada confeitada de toras de Ipê-roxo e Maçaranduba em vez olha eu aqui laçando Quero-quero nessa coxilha deitando solidão nos pelegos e saudade do aconchego das filhas podendo viver um jeito mais faceiro moldando o barro que o coisa-ruim largou lá pros lados do Ibicuí do Araguaia do Uruguai do Tramandaí do Purus ou a borracha do seringueiro quem foi que levou quem foi que levou e mais pamonha-tacacá-abará-cuscus-acarajé no panelão das ilhas de Marajó e Iboipeba era tudo de bom nesse cafundó verde-amarelo-azul-branco o povo brasileiro que nem égua no barranco afora pode que vinha cafuné um tiquinho de carinho da Maria-da-anca-fina da Sebastiana-da-perna-torta da Tereza-da-coxa-branca da Jurema-do-umbigo-fundo da Cristina-do-molha-pinto em vez olha eu aqui nessa Porto Alegre mal cuidada e gelada onde desassossego desgoverno e hipocrisia querem fazer rima com cantoria bem capaz nem peão vira capataz nem todo o mal que se faz pode pelear com a poesia que o teu sorriso me traz galopa em meu peito a quentura da paz quando eu te abraço por traz e quando você levantou a saia depois do ensaio meu coração virou um balaio nem que o presidente do país sofra um desmaio caia do galho e vire um papagaio daqui não mais eu saio
TRÊS CENAS
neto e prima
- segura no meu pinto
- não, guri
- então vou gritar
- toma, vai comprar picolé
neto e vó
- conta história, vó
- já contei
- conta mais, vó
- não
- então vou chorar
vó e neto (escutando)
- ao homem que queria muito ser rei
foi dado um trono em chamas,
o homem se viu obrigado a sentar
e morreu queimado
- segura no meu pinto
- não, guri
- então vou gritar
- toma, vai comprar picolé
neto e vó
- conta história, vó
- já contei
- conta mais, vó
- não
- então vou chorar
vó e neto (escutando)
- ao homem que queria muito ser rei
foi dado um trono em chamas,
o homem se viu obrigado a sentar
e morreu queimado
22 Junho 2009
17 Junho 2009
10 Maio 2009
30 Março 2009
VEIA VENTO
o vento vara cercos
na garganta do quintal
no cacho d'água da cachoeira
vozes do mar rasgam o tecido
invadem o dorso da terra
rimas velozes
asas nas veias
o canto da perdiz
a coragem do quero-quero
o latido da montanha
a voz da criança surrada
o lamento do descampado
nos calombos do continente
paisagens dentro do pássaro
comedor de ar e distâncias
enseada larga sem remanso
olhar sem pouso
sem descanso
algum eco do dia do século
alguma poeira na crosta da noite
o vento não vacila
jamais tropeça
vadio
como a fome da rua
resiste com a alegria
que seria a de uma nação livre
na garganta do quintal
no cacho d'água da cachoeira
vozes do mar rasgam o tecido
invadem o dorso da terra
rimas velozes
asas nas veias
o canto da perdiz
a coragem do quero-quero
o latido da montanha
a voz da criança surrada
o lamento do descampado
nos calombos do continente
paisagens dentro do pássaro
comedor de ar e distâncias
enseada larga sem remanso
olhar sem pouso
sem descanso
algum eco do dia do século
alguma poeira na crosta da noite
o vento não vacila
jamais tropeça
vadio
como a fome da rua
resiste com a alegria
que seria a de uma nação livre
20 Março 2009
SELEÇÃO
A torcida aplaude
na arquibancada
a letra e a melodia
de cada jogada.
Frevo-choro-vanerão,
bossa-nova–milonga-baião,
samba-de-roda-samba-canção,
qual é a escalação,
o esquema de jogo da seleção?
No gol, Adoniran Barbosa,
tomando todas, com limão e gasosa.
Compondo a festa e a defesa,
jogando e rimando com beleza,
Lupicínio e Dorival são parceiros
de Noel Rosa e Jackson do Pandeiro.
Na frente da zaga,
Cartola e Gonzagão,
maestro Pixinguinha na armação.
A bola no ataque rola com carinho
nos pés de Vinícius de Moraes,
mais Gonzaguinha e Nelson Cavaquinho.
No banco de reservas,
bebendo leite com ervas:
Orestes Barbosa, Wilson Batista,
Antonio Maria, Geraldo Pereira,
Ismael Silva, Zé Kéti, Jair Amorim.
E a elegância tática sem fim
do técnico Antônio Carlos Jobim.
A torcida aplaude
na arquibancada
a letra e a melodia
de cada jogada.
Frevo-choro-vanerão,
bossa-nova–milonga-baião,
samba-de-roda-samba-canção,
a bola é redondilha
no jogo dos craques da seleção.
13 Março 2009
25 Janeiro 2009
SOPA DE ARROZ DO PAI JOSÉ
Se deixas sair o que está em ti
O que deixas sair te salvará
Se não deixas sair o que está em ti
O que está em ti te destruirá
(Jesus, segundo Tomé)
O que deixas sair te salvará
Se não deixas sair o que está em ti
O que está em ti te destruirá
(Jesus, segundo Tomé)
A Sopa de Arroz do Pai José é campeã das dietas, porque limpa, emagrece e não dá fome. Leva arroz integral, alho, cebola, alho-poró, aipo (salsão), bertalha e verdinhos frescos:
uma xícara de arroz cru,16 de água, 6 dentes de alho, 3 cebolas médias, 6 talos de aipo com as folhas, um alho-poró também com as folhas, 12 ou mais folhas de bertalha, e ainda hortelã, cebolinha, salsinha ou coentro.
Ponha o arroz para cozinhar naquele montão de água, de preferência em panela grossa, de pedra-sabão, barro ou ferro esmaltado; quando ferver abaixe o fogo, tampe e deixe cozinhar por três horas, mexendo de quando em vez.
Corte a cebola em gomos, o aipo e o alho-poró em fatias grossas diagonais, descasque os dentes de alho e ponha tudo lá dentro, levantando o fogo, para abaixar de novo depois que ferver. Junte mais água se for o caso. Deixe ferver 40 minutos, misture as folhas de bertalha, apague o fogo e tampe.
Sirva com uma colher (chá) de missô em cada porção e verdinhos frescos por cima. Pode comer à vontade.
Substitui ao menos uma refeição por dia, com resultados maravilhosos.
Por quê?
Primeiro porque o arroz integral cozido longamente, às vezes a noite inteira, é o alimento mais medicinal que existe: fácil de digerir, fortalece o princípio vital e o sangue, harmoniza o sistema de aquecimento do corpo, suaviza os intestinos e ajuda a eliminação de toxinas através da urina. (Contra-indicação: quem já urina muito não deve tomar essa sopa.)
O alho é uma cornucópia de virtudes para a saúde. Espanta vírus, fungos e outros hóspedes indesejáveis, desengordura, tonifica, relaxa, faz bem ao fígado e às glândulas, limpa o sangue.
A cebola não fica atrás: também é anti-séptica, limpa e regulariza os rins e a bexiga, baixa a taxa de glicose no sangue, ajuda a absorver oxigênio.
O alho-poró reforça o alho e a cebola e dá um sabor especial.
O aipo, ou salsão, estimula a digestão e os intestinos, limpa os rins, alivia o reumatismo, acalma, nutre e tonifica; suas folhas têm um tipo natural de insulina.
E as folhas de bertalha, Basella alba, trepadeira que dá em qualquer cerca no mato carioca, são riquíssimas em cálcio, ferro, magnésio, clorofila e outras preciosidades, e ainda lubrificam os intestinos. (Se não encontrar bertalha, pode colocar chicória.)
Boa primavera – boa reciclagem!
http://www.correcotia.com/ Site maravilhoso da Sonia Hirsch
22 Janeiro 2009
10 Dezembro 2008
MARESIA
barafundar
é palavra estranha
um barco afundado
algum barato lindo
a baderna feita
na taberna
alguma coisa
talvez mudando
a sombra na parede
da caverna
a doce e terna
luz da fala
alguém
mexendo fundo
o rabisco na carne
do mundo
01 Dezembro 2008
LONGE
na linha
do horizonte
onde o sol aquece
a fartura do dia
a lua amansa
o decote da noite
o poema
tropeça
16 Novembro 2008
13 Junho 2008
PEQUENA PRECE
Santo Antônio,
meu São Toninho,
faz um favorzinho.
Traz meu amor pra junto
de mim, bem pertinho
do meu coraçãozinho.
Meu santinho,
meu queridinho,
me faz esse carinho!
Eu juro, mando construir
um altar bem bonitinho
no terreno do vizinho.
12 Junho 2008
NAMORAR
cair no laço
agradar-se afeiçoar-se
procurar inspirar amor à
sentir-se atraído, cativo
desejar muito ficar perto
olhar com enlevo
ter namoro com
inspirar e suspirar por
acordar manso ao pensar em
arrebentar-se de saudade
agradar-se afeiçoar-se
procurar inspirar amor à
sentir-se atraído, cativo
desejar muito ficar perto
olhar com enlevo
ter namoro com
inspirar e suspirar por
acordar manso ao pensar em
arrebentar-se de saudade
05 Junho 2008
QUERUBIM
dispa-se
pense-se exercite-se
desarrume-se
raspe-se pelas coxas com as unhas
molhe-se na esquina
ensaboe-se com folhas de limão
rasgue-se assim
alegre-se
coce-se ausente-se
diete-se plante-se
colha-se orquídea faça-se cebolinha
abra-se como uma janela
saia-se sem asas ao redor da casa
enxugue-se jasmim
venha-se
ame-se escancare-se
escorra-se aos poucos
suba-se trepadeira colha-se bananeira
enrosque-se nos lençóis
deixe a manhã te lamber o cabelo
abrace-se em mim
pense-se exercite-se
desarrume-se
raspe-se pelas coxas com as unhas
molhe-se na esquina
ensaboe-se com folhas de limão
rasgue-se assim
alegre-se
coce-se ausente-se
diete-se plante-se
colha-se orquídea faça-se cebolinha
abra-se como uma janela
saia-se sem asas ao redor da casa
enxugue-se jasmim
venha-se
ame-se escancare-se
escorra-se aos poucos
suba-se trepadeira colha-se bananeira
enrosque-se nos lençóis
deixe a manhã te lamber o cabelo
abrace-se em mim
26 Maio 2008
19 Maio 2008
DENTRO
partir faz parte
da arte da paz
de quem parte
e nos carrega junto
de quem fica
quando vai fundo
como quem não
pode nos deixar
e segue nos levando
em seu mundo
17 Maio 2008

DO OBJETIVO GERAL:
“Eu não forneço nenhuma regra para que uma pessoa se torne poeta e escreva versos. E, em geral, tais regras não existem. Chama-se poeta justamente o homem que cria estas regras poéticas”. – Maiakovski
DO ROTEIRO (DIÁRIO DE BORDO):
· O que é poesia, poema, poeta?
· O jogo verbal, a cantiga, a canção.
· Paródia, pastiche e pilhagem.
· Metáfora: sol, sal e salada.
· Leituras e contextualizações.
· A viagem do ritmo na passarela.
· A imagem e a paisagem da linguagem.
· O verbo: silêncio entre as palavras
· Carrossel sintático e escorregador semântico.
· Signo: circulado de fulô e significados.
· Modos de preparo e composição do poema.
· Dosagens e contra-indicações.
· Paradigmas, pára-brisas, pára-choques.
· Poesia-visual e poema-postal.
· Oralidade: falação, cantoria e ladainha.
· Exercícios variados e temperados.
“Eu não forneço nenhuma regra para que uma pessoa se torne poeta e escreva versos. E, em geral, tais regras não existem. Chama-se poeta justamente o homem que cria estas regras poéticas”. – Maiakovski
DO ROTEIRO (DIÁRIO DE BORDO):
· O que é poesia, poema, poeta?
· O jogo verbal, a cantiga, a canção.
· Paródia, pastiche e pilhagem.
· Metáfora: sol, sal e salada.
· Leituras e contextualizações.
· A viagem do ritmo na passarela.
· A imagem e a paisagem da linguagem.
· O verbo: silêncio entre as palavras
· Carrossel sintático e escorregador semântico.
· Signo: circulado de fulô e significados.
· Modos de preparo e composição do poema.
· Dosagens e contra-indicações.
· Paradigmas, pára-brisas, pára-choques.
· Poesia-visual e poema-postal.
· Oralidade: falação, cantoria e ladainha.
· Exercícios variados e temperados.
10 Março 2008
FAÍSCA
breve virá a chuva molhar palavras
esfriar a cabeça lavar o corpo
breve virá o vento
lançar sementes marcar sentimentos
a intuição diz que o tempo
virá estruturar reavaliar tudo
depois uma abelha um casal de velhos
um sapateiro uma guria de seios verdes
um índio uma pedra um malandro um palhaço
um jogador uma cigana um sambista
um açougueiro um artesão um asmático
um bêbado um matemático um apaixonado
um passante um diabético um qualquer
um a favor outro contra
uns mais outros menos lá ou cá assim assado
cobrarão a história do sonho
do que disponho do tempo que disponho
da derrota da conquista da mentira da verdade
e disto
eu tenho certeza
VERDE
a folha de papel
a mão dos irlandeses palestinos
chineses iraquianos argentinos
as coxas dos anjos viciados
as crianças atropeladas
os crisântemos as bougainvílleas
margaridas petúnias bromélias
o copo d’água a mesa posta
a vergonha subtraída
a fratura exposta
o cinema o limão o continente
verdes
eu e vocês
07 Março 2008
23 Janeiro 2008
para abrir o silêncio das marés
buscar o regalo do sonho
no braço do sono
risos pendurados e dias
com pássaros
esperar a calmaria
dos fortes ventos
e nas tardes decoradas
por dentro
desenhar o gesto macio
do bom sentimento
- mario pirata
no braço do sono
risos pendurados e dias
com pássaros
esperar a calmaria
dos fortes ventos
e nas tardes decoradas
por dentro
desenhar o gesto macio
do bom sentimento
- mario pirata
PEQUENA LANÇA
o guri grafita o muro do cais
não quites com a situação
a consistência do assombro
topando tudo e todos
no rastilho do corte
da noite nervosa
acompanhado pelo rosnar
dos últimos vagabundos
o guri grafita
o muro do cais
não quites com a situação
a consistência do assombro
topando tudo e todos
no rastilho do corte
da noite nervosa
acompanhado pelo rosnar
dos últimos vagabundos
o guri grafita
o muro do cais
31 Dezembro 2007
MAREMOINHANDO - poema (em construção) para Roberta
não são dessa vida
nem para agora nem para depois
e jamais deixariam de acontecer
preparam-se aos poucos
escorrem aos borbotões
como a água da chuva nos telhados
correm pelas calçadas
rabiscam as paredes das cidades
brincam entre cachorros viralatas
voam em astronaves
pousam feito beija-flores nos corações
e são fortes e frágeis
não sabem nadar
navegam por mares de desejos
em busca de sonhos e tesouros
não poderiam deixar de existir
não sabem o que fazer
onde voltar aonde ir
existem amores impossíveis
lindos largos e leves
como um dia de sol
Alguns verbos em rima rica e pobre
Há quem negue,
mas viver é verbo irregular,
desejar é tudo,
querer vai além,
ser cada vez mais profundo,
mergulhar em todas as águas,
viajar em todas as asas,
sem perder suas raízes,
ter é necessário, mas nunca demais,
haver estamos sempre,
ver, aprender e vamos em frente,
na dúvida nunca parar,
mas em todas as línguas
não existe verbo
mais preciso que é preciso
exercitar,
o único verbo que importa,
o verbo amar.
- Marco Celso Huffell Viola
03 Dezembro 2007
BOA NOITE, POESIA
eu juro
em qualquer lugar, a qualquer hora
guardarei teu sonho até o primeiro bocejo do sol
quero que guardes as palavras esquente os silêncios
depois passear meus olhos aguados nos teus poemas meus
meus olhos cansados nos meus poemas teus
vim aqui especialmente devolver as palavras
que você acomodou entre as tuas tranças desvoadas
perceba que eu acabei voando as tranças da poesia
sei fazer colares lindos com nacos de silêncios
não sei não te dar o que você me pede
posso permanecer em estado de encantamento com tua mágica
te mandar tudo de bonito que eu conseguir achar
as conchas os pássaros feridos as lagartixas rosadas
os cometas extraviados
vai, pérola morena, me mostra mais do teu tesouro
sou agora um náufrago perdido na tua correnteza
mergulhado no canto da sereia e vejo uma lua
dançando na areia da praia da madrugada
eu me assanho não me acanho
ouso perguntar onde quando em qual planeta você está?
te escuto com a vazante da maré em meus olhos, vai,
derrama tua água em meus ouvidos, isso, menina,
coloca teus versos aqui ao lado dos corais
viro reviro desviro só pra te enxergar
descobrir onde principia o teu cabelo
a beleza cristalina enchendo a página
algo me dizia pra vir aqui buscar calmaria
um descatador descascador é também um mergulhador
de sorrisos lapidador de pedras e olhares
é a flor da magia, a flor na minha mão
agora não mais vazia
você tem sido a coisa mais linda dos meus dias novos
faça-me o favor de desenhar quaisquer palavras
e sentimentos venha plantar alegria
a qualquer momento do teu dia da tua noite, guria

A possibilidade do encanto é uma necessidade para quem procura fazer da poesia em sua vida uma condição para a felicidade.
Portanto, na derradeira lua cheia do ano declaro o meu coração leonino um território livre e disponível para receber e lidar com a mágica e clara luz do sol do amor verdadeiro.
- mario pirata
27 Novembro 2007
14 Outubro 2007
versos de circunstância
diz-me
o que se esfumará mais cedo
o ninho balançando pendurado no pinheiro
ou a noite
em que de amor fez-se à varanda um jardim?
- Márcia Maia
diz-me
o que se esfumará mais cedo
o ninho balançando pendurado no pinheiro
ou a noite
em que de amor fez-se à varanda um jardim?
- Márcia Maia
10 Outubro 2007
19 Setembro 2007
11 Setembro 2007
05 Setembro 2007
02 Setembro 2007
26 Agosto 2007
28 Julho 2007
VOZESPERTASTUTAS
para ser lido por crianças
para os homens adultos,
no despertar das manhãs.
Abelha zumbe, zumbe a mosca.
Carneiro bala, bala a ovelha.
Javali grunhe, grunhe o porco.
O bicho grita, cala o homem.
O cavalo relincha,
a pomba arrulha,
o lobo uiva,
o homem tem a faca, ai.
O tigre brama,
o homem reclama
e sai à caça
em seu automóvel.
A raposa regouga,
a cegonha glotora,
a andorinha trissa,
cai atropelada a tarde.
Codorniz chilreia,
a garça é quem gazeia.
Cachorro late, o pau bate.
Lebre chia, o homem sangra veias.
Peru grugruleja,
o corvo crocita.
Galinha cacareja,
o galo cucurica.
Coração murmureja,
o homem dorme.
Boi muge,
o leão ruge,
o mosquito zune,
o homem assume a matança.
Búfalo berra,
o burro zurra,
o elefante urra,
o homem surra a criança.
Gato mia, chia também.
A criança ora ri, ora chora.
Pardal chilra,
o papagaio palra,
a serpente silva,
o homem mata o homem.
O peixe deságua na água suja
as ovas e não diz nada.
A criança leva no lombo
a marca da sova e diz tudo.
O homem enlouquece,
guarda o espinho do medo.
Todos esperam,
liberdade não chega.
- Eu pergunto, qual bicho
pode calar a dor do mundo,
pergunto novamente, qual bicho
pode calar a dor do mundo
com a benção da voz do amor?
para os homens adultos,
no despertar das manhãs.
Abelha zumbe, zumbe a mosca.
Carneiro bala, bala a ovelha.
Javali grunhe, grunhe o porco.
O bicho grita, cala o homem.
O cavalo relincha,
a pomba arrulha,
o lobo uiva,
o homem tem a faca, ai.
O tigre brama,
o homem reclama
e sai à caça
em seu automóvel.
A raposa regouga,
a cegonha glotora,
a andorinha trissa,
cai atropelada a tarde.
Codorniz chilreia,
a garça é quem gazeia.
Cachorro late, o pau bate.
Lebre chia, o homem sangra veias.
Peru grugruleja,
o corvo crocita.
Galinha cacareja,
o galo cucurica.
Coração murmureja,
o homem dorme.
Boi muge,
o leão ruge,
o mosquito zune,
o homem assume a matança.
Búfalo berra,
o burro zurra,
o elefante urra,
o homem surra a criança.
Gato mia, chia também.
A criança ora ri, ora chora.
Pardal chilra,
o papagaio palra,
a serpente silva,
o homem mata o homem.
O peixe deságua na água suja
as ovas e não diz nada.
A criança leva no lombo
a marca da sova e diz tudo.
O homem enlouquece,
guarda o espinho do medo.
Todos esperam,
liberdade não chega.
- Eu pergunto, qual bicho
pode calar a dor do mundo,
pergunto novamente, qual bicho
pode calar a dor do mundo
com a benção da voz do amor?
21 Julho 2007
PLANO DE VÔO
nas retinas das meninas crescem
calêndulas e caleidoscópios cristalinos
nos traços retorcidos nos dedos de Miró
e quando o amor levantar vôo
meu coração vira aeroporto
nas pupilas das mulheres escorrem
chumaços de fios amarelados
pelas pétalas dos girassóis de Van Gogh
e quando o amor levantar vôo
meu coração vira aeroporto
nas pálpebras das anciãs surgem
punhados de serpentes escancaradas
como as mãos ressecadas de Gauguin
e quando o amor levantar vôo
meu coração vira aeroporto
calêndulas e caleidoscópios cristalinos
nos traços retorcidos nos dedos de Miró
e quando o amor levantar vôo
meu coração vira aeroporto
nas pupilas das mulheres escorrem
chumaços de fios amarelados
pelas pétalas dos girassóis de Van Gogh
e quando o amor levantar vôo
meu coração vira aeroporto
nas pálpebras das anciãs surgem
punhados de serpentes escancaradas
como as mãos ressecadas de Gauguin
e quando o amor levantar vôo
meu coração vira aeroporto
11 Julho 2007
Definição
A felicidade
é como a neve:
leve
e breve.
Solução
Na falta de
respostas
satisfatórias,
uma pergunta
singela
é capaz de elucidar
A felicidade
é como a neve:
leve
e breve.
Solução
Na falta de
respostas
satisfatórias,
uma pergunta
singela
é capaz de elucidar
a questão.
A medida do mundo
Em matéria
de amor,
o excesso
é o mínimo
que peço.
- Luiz Paulo Vasconcellos
Comendo pelas beiradas, Tambor Editora, 2006.
A medida do mundo
Em matéria
de amor,
o excesso
é o mínimo
que peço.
- Luiz Paulo Vasconcellos
Comendo pelas beiradas, Tambor Editora, 2006.
23 Junho 2007
19 Junho 2007
Instruções para se apaixonar
Encha o peito com mais de trezentos suspiros,
quando estiver bem levinho,
solte as amarras
e flutue.
Segredos
Meu vestido é cheio de segredos.
A cada botão que você abre,
sinto uma rosa desabrochar.
Sobre os poetas
O mágico nunca conta os seus segredos.
O poeta nunca explica uma entrelinha.
- Rita Apoena
http://ritaapoena.zip.net/
Encha o peito com mais de trezentos suspiros,
quando estiver bem levinho,
solte as amarras
e flutue.
Segredos
Meu vestido é cheio de segredos.
A cada botão que você abre,
sinto uma rosa desabrochar.
Sobre os poetas
O mágico nunca conta os seus segredos.
O poeta nunca explica uma entrelinha.
- Rita Apoena
http://ritaapoena.zip.net/
05 Junho 2007
Roda de poesia - Natacha Orestes
me coise
meus seios diminutos em tua boca de carne
custei a entender o que nunca ninguém me contou:
isto, meu amor, é sagrado e sem referências
a carne não é nem pecado, nem redenção
é a própria vida escorrendo por nossos vãos
entre mim e você, apenas minha pele e sua pele
um pouco de ar e muito atrito quente
não, não é fascínio nem lascívia
é outra coisa, nem mesmo amor é
palavra amor não explica nada
é com a coisa, atrás do amor,
atrás de qualquer significado mora o que eu te sinto
tua retina paralisada na minha
oh, meu bem, por que me olhas tão fundo?
que é que vês em mim?
que imagem tenho eu perante o teu olhar?
oh, meu bem, nunca saberei, mas não importa
importa só que continues me amando, me coisando,
me qualquer coisa que não se explica,
mas me.
ego
meu
amo
rpo
rmi
méc
ego
meu
amo
rpo
rmi
méc
ego
eu lá ia
a poesia
passou-me o pé
e eu
cá
ia
- Natacha Orestes
02 Junho 2007
22 Maio 2007
CANÇÃO
No meio do caminho
tem um caminhão,
um caminhão bem grandão
parado no meio do caminho.
O motorista João,
deitado na rede,
dorme sonhando
com um prato de feijão.
Mas o caminhão
parado no meio do caminho
com o pneu furado
não carrega feijão.
O caminhão grandão
carrega um monte de caixas
cheias de frutas:
abacaxi, laranja, melão.
(em A MAGIA DO BRINCADEIRO)
tem um caminhão,
um caminhão bem grandão
parado no meio do caminho.
O motorista João,
deitado na rede,
dorme sonhando
com um prato de feijão.
Mas o caminhão
parado no meio do caminho
com o pneu furado
não carrega feijão.
O caminhão grandão
carrega um monte de caixas
cheias de frutas:
abacaxi, laranja, melão.
(em A MAGIA DO BRINCADEIRO)
09 Maio 2007
PEQUENO RECADO
Quando você se aninhou perto eu falei que tinha para oferecer o meu carinho e alguma poesia. Venho procurando fazer isso, dar, entregar o que vens buscar. Com minhas mãos, com minhas palavras, quando podes vir, quando queres ganhar. O bem que isso me traz, isso eu sei. Algum bem isso te traz ou não estarias vindo receber também.
É natural acontecer que um de nós venha querer alguma coisa mais, um de nós ganhe do outro algo que nem mesmo queira receber, peça o que o outro não tem para entregar. Quando isso acontece é que se instala entre duas pessoas aquilo que as faz se machucarem, se desentenderem, sem saber o que fazer com aquela coisa que o outro entregou sem que se tenha pedido, ou com aquilo que não entregamos porque não tínhamos pra dar.
Assim sendo, meu encanto, preciso te perguntar a resposta que nem sei se tens para me dar: diz o que é que você quer de mim, saber isso é o que eu quero agora de ti. O resto, lá fora, não tem importância alguma neste momento, pois o que importa do mundo está aqui dentro, entre a tua mão e a minha.
No entanto, poesia, se não é claro o que queres de mim, se não tens como explicar o que de mim queres, façamos o seguinte: entre nacos de silêncios e gemidos, façamos amor do jeito mais intenso e leve que nos seja permitido alcançar. Do jeito mais bonito que somos capazes.
Então, o mundo irá parar com todas as suas máquinas e quinquilharias, para escutar o que nós dois temos a dizer. Pode ser, poesia?
- mariopirata
27 Abril 2007
11 Abril 2007
ALICE E O GATO
- Podia-me dizer, por favor, qual é o caminho para sair daqui? - Perguntou Alice.
- Isso depende muito do lugar para onde você quer ir. - Disse o Gato.
- Não me importa muito onde... - Disse Alice.
- Nesse caso não importa por onde você vá. - Disse o Gato.
-... Contanto que eu chegue a algum lugar. - Acrescentou Alice como explicação.
- É claro que isso acontecerá. - Disse o Gato. - Desde que você ande durante algum tempo.
"Você poderia me dizer, por favor, qual caminho eu devo seguir?”.
"Isso depende muito de onde você deseja chegar”.
(Alice no País das Maravilhas – Lewis Carroll)
- Isso depende muito do lugar para onde você quer ir. - Disse o Gato.
- Não me importa muito onde... - Disse Alice.
- Nesse caso não importa por onde você vá. - Disse o Gato.
-... Contanto que eu chegue a algum lugar. - Acrescentou Alice como explicação.
- É claro que isso acontecerá. - Disse o Gato. - Desde que você ande durante algum tempo.
"Você poderia me dizer, por favor, qual caminho eu devo seguir?”.
"Isso depende muito de onde você deseja chegar”.
(Alice no País das Maravilhas – Lewis Carroll)
27 Março 2007
TRÊS TIGRES
História para dormir ou para distrair?
(Recado do autor)
Todos gostam de histórias de bichos.
Uns, de contá-las. Outros, de ouvi-las.
Será que apenas os homens gostam delas?
E os bichos?
Os bichos não contam e ouvem histórias?
1
Espichado sobre a pedra, na beira do rio, o tigre azul começou a narrar a primeira história:
— Era uma vez, um lugar bem longe daqui, aqui perto, um homem que vivia sozinho, cercado de amigos e de familiares. Era alto e magro, também era baixo e gordo, não sei bem ao certo. O que eu sei é que ele vivia caçando peixes no mato, pescando coelhos no rio.
Um dia, pela manhã, quando o sol já descia no horizonte, o homem, ainda calado, fala aos seus amigos: “Vou sair de volta pra cá, agora mesmo, daqui a pouco, depois eu venho de volta pra lá”.
— Sei lá, talvez não tenha dito exatamente isso. Talvez o que foi dito tenha sido aproximadamente uma outra coisa, não sei bem ao certo. Mas ele falou alguma coisa, pois o silêncio permaneceu até amanhecer a noite.
2
Deitado na grama, de barriga para cima, o tigre amarelo começou a narrar a segunda história:
— Era uma vez um elefante muito gracioso que vivia voando entre as flores, sempre alegre e sorridente. Seu melhor amigo era um beija-flor perneta que passava os seus dias tomando banho de areia no rio, muito triste. Um dia, o elefante feliz convidou o beija-flor aborrecido para passearem juntos pelo jardim. O elefante subiu no bico do beija-flor, mas não conseguiu equilibrar-se direito e caiu com o nariz enterrado na lama - de tanto chorar, o beija-flor com as suas lágrimas havia transformado a areia em lama.
Os dois amigos riram muito com o desastre. Riram, riram tanto, mas foi tanto que riram que não sobrou mais tempo algum para eu contar a história.
3
Encostado na árvore, na sombra macia, o tigre vermelho começou a narrar a terceira história:
— Era uma vez, mas pode ser que venha a ser novamente, um Rei muito rico que não tinha dinheiro algum. Morava no Castelo que não existia, com a Rainha que era boazinha. Os dois tinham uma filha muito chata. Era uma fera, a Princesa, tão brava que era. O Rei usava um chapeuzinho vermelho na cabeça, gostava de passear com a Rainha entre os canteiros das macieiras. Naquele reino, todos gostavam de maçãs. Uma tarde, depois de almoçarem (maçãs, é claro!), eles estavam passeando (o Rei e a Rainha, é claro!) quando escutaram um som muito estranho do lado de fora do Castelo (ou do lado de dentro, porque não havia Castelo algum mesmo!).
E vocês conseguem imaginar que sons estranhos eles escutavam? Eu consigo... Era a Princesa, muito bela, sentada no jardim, ao lado de uma longa fila de sapos. É claro, sapos beijoqueiros!
Última cena:
Descansados, famintos, os três tigres puseram-se a caminhar na direção da Floresta...
Ou na direção da cidade do Sem-fim, da Terra do Nunca, não sei bem ao certo!
(Recado do autor)
Todos gostam de histórias de bichos.
Uns, de contá-las. Outros, de ouvi-las.
Será que apenas os homens gostam delas?
E os bichos?
Os bichos não contam e ouvem histórias?
1
Espichado sobre a pedra, na beira do rio, o tigre azul começou a narrar a primeira história:
— Era uma vez, um lugar bem longe daqui, aqui perto, um homem que vivia sozinho, cercado de amigos e de familiares. Era alto e magro, também era baixo e gordo, não sei bem ao certo. O que eu sei é que ele vivia caçando peixes no mato, pescando coelhos no rio.
Um dia, pela manhã, quando o sol já descia no horizonte, o homem, ainda calado, fala aos seus amigos: “Vou sair de volta pra cá, agora mesmo, daqui a pouco, depois eu venho de volta pra lá”.
— Sei lá, talvez não tenha dito exatamente isso. Talvez o que foi dito tenha sido aproximadamente uma outra coisa, não sei bem ao certo. Mas ele falou alguma coisa, pois o silêncio permaneceu até amanhecer a noite.
2
Deitado na grama, de barriga para cima, o tigre amarelo começou a narrar a segunda história:
— Era uma vez um elefante muito gracioso que vivia voando entre as flores, sempre alegre e sorridente. Seu melhor amigo era um beija-flor perneta que passava os seus dias tomando banho de areia no rio, muito triste. Um dia, o elefante feliz convidou o beija-flor aborrecido para passearem juntos pelo jardim. O elefante subiu no bico do beija-flor, mas não conseguiu equilibrar-se direito e caiu com o nariz enterrado na lama - de tanto chorar, o beija-flor com as suas lágrimas havia transformado a areia em lama.
Os dois amigos riram muito com o desastre. Riram, riram tanto, mas foi tanto que riram que não sobrou mais tempo algum para eu contar a história.
3
Encostado na árvore, na sombra macia, o tigre vermelho começou a narrar a terceira história:
— Era uma vez, mas pode ser que venha a ser novamente, um Rei muito rico que não tinha dinheiro algum. Morava no Castelo que não existia, com a Rainha que era boazinha. Os dois tinham uma filha muito chata. Era uma fera, a Princesa, tão brava que era. O Rei usava um chapeuzinho vermelho na cabeça, gostava de passear com a Rainha entre os canteiros das macieiras. Naquele reino, todos gostavam de maçãs. Uma tarde, depois de almoçarem (maçãs, é claro!), eles estavam passeando (o Rei e a Rainha, é claro!) quando escutaram um som muito estranho do lado de fora do Castelo (ou do lado de dentro, porque não havia Castelo algum mesmo!).
E vocês conseguem imaginar que sons estranhos eles escutavam? Eu consigo... Era a Princesa, muito bela, sentada no jardim, ao lado de uma longa fila de sapos. É claro, sapos beijoqueiros!
Última cena:
Descansados, famintos, os três tigres puseram-se a caminhar na direção da Floresta...
Ou na direção da cidade do Sem-fim, da Terra do Nunca, não sei bem ao certo!
- mario pirata
22 Março 2007
21 Março 2007
16 Março 2007
08 Março 2007
"Como um bebê ou um cristal: tome-o nas mãos com muito cuidado. Ele pode quebrar, o momento presente. Escolha um fundo musical adequado - quem sabe, Mozart, se quiser uma ilusão de dignidade. Melhor evitar o rock, o samba-enredo, a rumba ou qualquer outro ritmo agitado: ele pode quebrar, o momento presente. Como um bebê, então, a quem se troca fraldas, depois de tomá-lo nas mãos, desembrulhe-o com muito, com muito cuidado também. Olhe devagar para ele, parado no canto do quarto ou esquecido sobre a mesa, entre legumes, ou misturado às folhas abertas de algum jornal. Contemple o momento presente como um parente, um amigo antigo, tão familiar que não há risco algum nessa presença quieta, ali no canto do quarto. Como uma laranja, redonda, dourada - mas sem fome, contemple o momento presente. Como a cinza de um cigarro que o gesto demorou demais, caída entre as folhas de um jornal aberto em qualquer página, contemple o momento presente. E deixe o vento soprar sobre ele".
Caio Fernando Abreu, in Pequenas Epifanias (excerto). Editora Sulina.
Caio Fernando Abreu, in Pequenas Epifanias (excerto). Editora Sulina.
23 Fevereiro 2007
HÁ MARIAS

Para Ildo Vilarinho
Maria Carolina, tão leve, tão linda.
Maria Flor, faceira, sorridente.
Maria Clara, muito breve e rara.
Maria Joana, cheirosa e perigosa.
Maria Cândida, de fala mansa.
Maria Lúcia, com o seu brilho.
Maria Imaculada, tão desejada.
Maria Aparecida, a que mais se vê por aí.
Maria Amélia serve o café, rega a bromélia.
Maria Fernanda corre e anda.
Maria Cristina cai na piscina.
Maria Luíza rodopia saia feito uma brisa.
Maria Rosa cora ao ser notada.
Maria Bonita desperta na gente
o fogo de Lampião, e outros.
Das Dores, a preferida de quem
é chegado a um certo sadismo.
De Lurdes chora quando escuta gracejos.
Do Carmo segue com calma o seu karma.
Maria-sem-vergonha, nem por isso é fácil.
Maria-vai-com-as-outras, sempre
encontrada onde não devia estar.
Mariazinha velhinha vive sozinha.
Maria Isabel, motorista e fino chapéu.
Maria Joaquina roda bolsa na esquina.
Mais dúvidas que certezas
trazem as Marias Terezas.
Da Paz, do Socorro, das Graças:
as Marias mais procuradas.
Marias Helenas Fátimas Rosas Eduardas
costuram e bordam noites e dias.
Grande, pequeninha,
empregada, patroa,
aos pedaços, na pior,
levando a vida numa boa,
dentro de tantas Marias santas,
Maria-de-si-mesma, a mais difícil de ser.
Maria Carolina, tão leve, tão linda.
Maria Flor, faceira, sorridente.
Maria Clara, muito breve e rara.
Maria Joana, cheirosa e perigosa.
Maria Cândida, de fala mansa.
Maria Lúcia, com o seu brilho.
Maria Imaculada, tão desejada.
Maria Aparecida, a que mais se vê por aí.
Maria Amélia serve o café, rega a bromélia.
Maria Fernanda corre e anda.
Maria Cristina cai na piscina.
Maria Luíza rodopia saia feito uma brisa.
Maria Rosa cora ao ser notada.
Maria Bonita desperta na gente
o fogo de Lampião, e outros.
Das Dores, a preferida de quem
é chegado a um certo sadismo.
De Lurdes chora quando escuta gracejos.
Do Carmo segue com calma o seu karma.
Maria-sem-vergonha, nem por isso é fácil.
Maria-vai-com-as-outras, sempre
encontrada onde não devia estar.
Mariazinha velhinha vive sozinha.
Maria Isabel, motorista e fino chapéu.
Maria Joaquina roda bolsa na esquina.
Mais dúvidas que certezas
trazem as Marias Terezas.
Da Paz, do Socorro, das Graças:
as Marias mais procuradas.
Marias Helenas Fátimas Rosas Eduardas
costuram e bordam noites e dias.
Grande, pequeninha,
empregada, patroa,
aos pedaços, na pior,
levando a vida numa boa,
dentro de tantas Marias santas,
Maria-de-si-mesma, a mais difícil de ser.
TIME ESCALADO
não sou Bilac, não tenho pátria, tic-tac
não li Cabral, mais-que-perfeito, oriental
dei Bandeira, vi Osvald de Andrade
fazer alarde com o pau-brasil pra fora
amei Vinícius, no meu ibope deu Raul Bopp
quebrei a louça com Gregório
de matos rios e florestas
joguei pião com Murilo Mendes
ganhei na bolinha de rima do Jorge de Lima
fui simbolista, agora flamengo, artista
não sou Gullar, pintou sujeira, azar
grego e troiano, copiei Afonso, o romano
na paisagem dos Campos eu falei
para Cecília: odara ou Décio
nem uísque, nem a vodca do Leminski
mas os sucos naturais da Alice Ruiz
nem Castro nem Alves
escolho poemas entre cestos e jarros
com o verdureiro Manoel de Barros
colhi rosas com Guimarães
corri pelo prado com Adélia
no patinete do Monteiro
no carrinho de lomba do Lobato
nasci no Porto que era Alegre
engoli bem cedo a língua
e fiquei com o meu próprio sotaque
sou do time do texto malandro
da poesia do terreno baldio
meia-lua-balãozinho-janelinha
Drummond morreu, então Quintana sou eu
- pirata
18 Fevereiro 2007
VEM DE MIM
me espanta
me deixa boquiaberto
o jeito
como você
me pede em você
como eu
me deixo levar pra você
me encanta
me deixa boquiaberto
o jeito
como você
me chama pra você
como eu
estou me entregando pra você
do jeito
que você me quer em você
do jeito
que eu me quero em você
um certo dia
um dia certo
sabe o que pode acontecer?
eu vou dizer, vou dizer:
não vou querer mais
sair de perto de você
- pirata
27 Janeiro 2007
25 Janeiro 2007
REDEMOINHO
o vento na janela lembra
quando o poema falava
de passarinhos e poças d’água
um lirismo de cores e cheiros
escorria da palavra dos
homens com sonhos de meninos
estamos envelhecidos
sobre as nossas cabeças
voam as incertezas
envergonhados com a beleza
e não corremos mais
atrás das pás dos moinhos
corações distraídos buscam
amores novos nos teclados
dos computadores
- Senhoras, Senhores,
não somos a platéia,
somos os atores!
- pirata
quando o poema falava
de passarinhos e poças d’água
um lirismo de cores e cheiros
escorria da palavra dos
homens com sonhos de meninos
estamos envelhecidos
sobre as nossas cabeças
voam as incertezas
envergonhados com a beleza
e não corremos mais
atrás das pás dos moinhos
corações distraídos buscam
amores novos nos teclados
dos computadores
- Senhoras, Senhores,
não somos a platéia,
somos os atores!
- pirata
24 Janeiro 2007
23 Janeiro 2007
21 Janeiro 2007
PATÊ DE SOJA
uma xícara de soja
meia xícara de azeite
suco de limão
sal à gosto
salsinha, orégano, azeite
deixar a soja de molho
no mínimo por três horas
colocar para ferver por 45'
com três xícaras de água
(até ficar macia)
bater no liquidificador
com todos os ingredientes
acrescentando água
até obter uma pasta
PS.
comer com moderação e prazer!
meia xícara de azeite
suco de limão
sal à gosto
salsinha, orégano, azeite
deixar a soja de molho
no mínimo por três horas
colocar para ferver por 45'
com três xícaras de água
(até ficar macia)
bater no liquidificador
com todos os ingredientes
acrescentando água
até obter uma pasta
PS.
comer com moderação e prazer!
16 Janeiro 2007
CIRCENSE
foto: Luis Venturaa terra espicha pernas
o rio coça o umbigo
e as espinhas
murmuram as espinhas
do rosto
da negra parteira
é guri
e vai ser manhoso
(no princípio de mim, enfim)
era eu a sede da terra
que era mulher
era eu a fome do rio
que era homem
fui parido no ato circense
fui nascido palhaço
sou homem
não sou poeta
sou
a grande lorota
e isso é poema
por debaixo do pano
12 Janeiro 2007
LATITUDE URGENTE
É preciso mexer no mecanismo dos ventos,
incendiar o medo,
colocar um rock-frevo no toca-discos.
Compor atmosfera nova,
sabotar o tempo,
parir temperatura leve, aquecida.
Diminuir a pressão em todas as altitudes,
diminuir a pressão de todas as atitudes.
Mas, sobretudo é preciso
soltar a fera de um novo amor.
ps.
Rosella, de Toscana, Itália, com seu blog: http://bottega27.splinder.com/ vem lendo e traduzindo poesia brasileira com carinho e dedicação.
Confira lá como ficou o LATITUDINE URGENTE. Em giovedi, gennaio, 18, 2007.
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